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Seu bot não deve se resumir a uma linha de comandos

A dúvida entre adotar uma interface baseada em uma linha de comandos ou em elementos gráficos não é nova, apesar de nós botmakers nos depararmos várias vezes com ela. Antes de falar um pouco mais sobre isso, quero apresentar um pouco dessa história para vocês.

No início do século XX, sugiram as máquinas de Teletipo que eram utilizadas para a troca de mensagens de texto entre pessoas em localizações remotas. Estas máquinas permitiam que uma pessoa digitasse a mensagens em seu terminal — com um teclado QWERTY — e a enviasse para que um destinatário, que a receberia de forma impressa. O Teletipo apareceu como uma alternativa para o código morse e o telégrafo, até então as formas mais populares para o envio de mensagens em tempo real.

Naquela época, o teletipo era utilizado exclusivamente para a comunicação entre pessoas. Mas, em meados do século XX, com o surgimento dos computadores, as primeiras máquinas passaram a “conversar entre si” através desta interface, enviando respostas a comandos dos operadores humanos, que eram impressas no terminal do operador. Este foi o surgimento da interface de linha de comandos ou CLI (command line interface), mesmo que ainda de forma primitiva.

Posteriormente, o teletipo foi sendo substituído pelo terrminal burro, que permitia o recebimento das mensagens em uma tela, ao invés da impressora. Por fim, os terminais burros ficaram inteligentes, recebendo um microprocessador, que os permitia responder aos comandos sem a necessidade de um computador remoto para processar. Surgia então o computador pessoal.

O início dos anos 80 foi marcado pelo início da popularização do computador pessoal, com a IBM e a Apple lançando novos produtos – o IBM PC e o Apple II. Só que estes ainda utilizavam uma interface de linha de comandos, o que os tornava intimidadores a novos usuários, já que esta interface possui uma curva de aprendizado alta e requer que o usuário memorize comandos para serem submetidos através do teclado. Para tentar resolver este problema, foi desenvolvida pouco depois a interface gráfica de usuário ou GUI (graphic user interface), que traz elementos visuais que os usuários reconhecem — como ícones e botões — a fim de diminuir a curva de aprendizado.

Pode-se dizer que a popularização em massa dos computadores só foi possível depois do surgimento da interface gráfica do usuário. Hoje temos inúmeros tipos de dispositivos que utilizam esse paradigma — celulares, tablets, geladeiras, etc. Apesar disso, a interface de linha de comandos ainda é utilizada, mas em nichos específicos (como desenvolvedores e administradores de sistema) devido à sua flexibilidade e poder. Para esses casos, existem situações em que é muito mais produtivo e rápido utilizar um comando que uma ferramenta visual. Mas é indiscutível que, para o usuário comum, uma interface gráfica é algo muito mais amigável e que requer um esforço muito menor para a realização de tarefas comuns.

Hoje, com a popularização dos bots de mensagem (chatbots), vivemos algo parecido com o velho embate CLI vs GUI: será que o melhor é construir um bot que receba, de maneira aberta e flexível, comandos de texto do usuário para que tente interpretá-los em ações ou o melhor seria utilizar elementos visuais, como botões, imagens e menus para apresentar ao usuário as ações possíveis naquele momento, mesmo que limitando suas opções?

Se aprendemos com a história, poderíamos dizer que a resposta é a mesma: na maioria dos casos, uma interface com elementos gráficos é muito mais amigável para o usuário comum. Mas pode haver casos específicos em que um bot com interface de texto será a melhor opção.

Um ponto que, na minha opinião, é bastante mal entendido é a natureza conversacional dos bots, que é uma das grandes vantagens desse tipo de aplicação. Muitas pessoas entendem isso como o fato de você poder conversar com um robô como se fosse uma pessoa. Mas na verdade, está muito mais relacionado à possibilidade do usuário voltar na linha do tempo das interações através da thread com o bot, mesmo que tenha sido através de botões e elementos visuais. Esse recurso possibilita a criação de um contexto mais rico da interação entre a pessoa e a aplicação.

E confesse: em alguns momentos, aposto que você gostaria de receber um menu de uma pessoa ao invés de uma pergunta aberta!

Portanto, se seu usuário não for um hacker, não construa seu bot como um prompt de linha de comandos!

O que você acha? Vamos trocar uma ideia!

 


André Bires

Desenvolvedor na Take

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